Segunda-feira, 28 de Março de 2011

Quem te avisa teu amigo é.

Deixo aqui uma tradução improvisada deste excelente artigo do Independent:
 
"Caro Portugal, aqui é a Irelanda, Eu sei que nós não nos conhecemos muito bem, apesar de eu ter ouvido que alguns dos nossos indicadores andam em baixo convosco em recessão.
 
Eles podem andar por lá por um bocado. Seja como for, eu não quero intrometer-me mas tenho lido sobre ti nos jornais e parece-me que eu talvez possa oferecer um conselho sobre onde tu estás e o que vem ai. Como diz a nova piada, qual é a diferença entre Portugal e a Irlanda? Cinco letras e seis meses.
 
Seja como for, agora reparo que tu estás sob pressão para aceitar o resgate mas os teus políticos afirmam que estão determinados a não o aceitar. Só sobre os seus cadáveres, dizem eles. Na minha experiência isso significa quem vais ter o resgate financeiro em breve, provavelmente a um Domingo. Primeiro deixa-me dar-te uma dica sobre as nuances da língua inglesa. Dado que inglês é a tua segunda língua, podes pensar que as palavras "resgate" e "ajuda" implicam que tu vais ter ajuda dos nossos irmãos europeus para saíres das tuas dificuldades actuais. Inglês é a nossa primeira língua e era isso que nós pensávamos que resgate e ajuda significavam. Permite-me avisar-te, não só este resgate, quando for inevitavelmente forçado em ti, não te tira dos teus actuais problemas, como ainda os vai prolongar para as próximas gerações vindouras.
 
Por isto espera-se que fiques grato. Se queres ver a verdadeira definição de resgate sugiro que pegues no teu dicionário Inglês-Português e procures palavras como, moneylending [agiotagem], usury [usura], subprime mortgage [hipotecas subprime], rip-off [exploração]. Isto vai-te dar uma tradução muito mais correcta do que te vai acontecer.
 
Vejo também que nos próximos meses vais mudar de governo. Perdoa-me se eu me permiti um pequeno sorriso em relação a isso. Por favor põem uma camada nova de pintura sobre as fendas de abrandamento da tua economia. E por favor aprecia o cheiro a tinta fresca por um bocado. 
 
Nós também tivemos um novo governo e foi uma agradável diversão durante umas semanas. O que vais perceber é que o novo governo vai vir no meio de uma ligeira euforia do povo. O novo governo terá feito todo o tipo de promessas durante a campanha eleitoral sobre queimar os obrigacionistas e tudo mais e a UE vai sorrir benevolamente durante o tempo que toda essa conversa solta durar.
 
Depois, quando o vosso governo entrar, inicialmente eles vão para a Europa armar um grande espectáculo. Até podes ganhar uns quantos jogos contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, e podes atrair visitas de dignatários estrangeiros como o Papa e isso. Vai haver uma boa vibração no ar enquanto toda a gente se refugia na ilusão durante um tempo.
 
E desfruta isso tudo enquanto puderes, Portugal. Porque a realidade vai estar à espera para se introduzir outra vez quando toda a diversão se acalmar. O lado positivo de tudo isto é que o preço de um jogo de golfe tornou-se muito competitivo por estes lados. Espero que o mesmo aconteça por ai e esperamos encontrar-vos então.
 
Amor, Irlanda."
 
P.S.: Está tudo explicado em relação ao IVA a 6% para o golfe. Afinal José Socrates só queria competir com os preços do golfe da Irlanda!
 
P.S. II: Podem usar a tradução noutros blogs desde que façam referência ao blog.
 
P.S.III: encontrei o artigo original através do blog os dias úteis do Pedro Ribeiro
publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 18:37
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6 comentários:
De Exilado no Mundo a 29 de Março de 2011 às 18:31
Concordo que a informação é uma arma importante. O grande problema é que o povo português não a absorve devidamente. Deixam de votar no PS e vão em massa votar no PSD, ignorando que as orientações políticas (e os vícios!) serão essencialmente as mesmas. Não há voto de ruptura neste país!
De Gonçalo Cardoso Dias a 29 de Março de 2011 às 19:50
Mas o que é um voto de ruptura?
Bloco de Esquerda? PC? São todos exactamente a mesma coisa. Nenhum deles realmente aplica a ideologia que advoga e tão pouco acredita minimamente nela.
O CDS-PP nesse aspecto sempre é um pouco mais coerente, mas temos que admitir que não é propriamente um partido de ruptura.
Mais do que um voto de ruptura é preciso é participação da população na vida política portuguesa, e não só no direito de voto, mas em manifestações, ou acções políticas mais simples.
De Exilado no Mundo a 29 de Março de 2011 às 19:58
"Bloco de Esquerda? PC? São todos exactamente a mesma coisa. Nenhum deles realmente aplica a ideologia que advoga e tão pouco acredita minimamente nela".

Com que dados profere essa afirmação? Que experiência o permite concluir isso?

"O CDS-PP nesse aspecto sempre é um pouco mais coerente, mas temos que admitir que não é propriamente um partido de ruptura".

Que fez o PP quando esteve no governo de acordo com o que apregoou nas feiras que percorreu?

Mas o que pretendia dizer com voto de ruptura, é qualquer voto que não seja em PS + PSD. Essencialmente só esses nos governaram no pós 25 de Abril!
De Gonçalo Cardoso Dias a 29 de Março de 2011 às 20:27
"Com que dados profere essa afirmação? Que experiência o permite concluir isso?"

Profiro esta afirmação baseada na minha experiência e na minha observação.
BE conheço várias pessoas que fundaram o partido e que foram simplesmente postas de parte quando já não interessava, já para não falar do que se tem passado ultimamente no interior do BE, e aqui não acho q seja eu a melhor pessoa para falar, mas sugiro que se informe e converse com pessoas que pertencem ao BE para ver as conversas que se geram.
PC, também teve uma época em que afastou várias pessoas que pertenciam ao partido há muito tempo e que de repente deixavam de interessar porque "dissidiam" da opinião partidária, e apesar de ser um partido muito mais difícil de encontrar pessoas dispostas a conversar sobre ele, vale a pena tentar e observar o que se passa. Já agora, usar a festa do avante para mostrar a força do pc é de morrer a rir pelo menos, tendo em conta que neste momento aquilo não passa de um festival de verão com uns tipos a dizer umas larachas pelo meio.

"Que fez o PP quando esteve no governo de acordo com o que apregoou nas feiras que percorreu?"

De facto o PP esteve num governo, mas temos que admitir que a sua participação nesse governo foi extremamente limitada.

"Mas o que pretendia dizer com voto de ruptura, é qualquer voto que não seja em PS + PSD. Essencialmente só esses nos governaram no pós 25 de Abril!"
Sim, eu de facto percebo isso, mas a realidade é que estes são os partidos de centro e como tal aglomeram a maioria da intenção de voto portuguesa. O problema é a população portuguesa demitir-se de responsabilidade de reivindicar e participar na vida política, exigir responsabilidades ao políticos não se faz a partir do sofá da sala. E esse é que é o problema.

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