Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Será que é desta que uma geração acorda?

Este fim de semana foi a manifestação da "geração à rasca", que teve uma afluência de gente como há muito não se via em terras lusas. Apesar de haver tentativas de comparação com uma greve/manifestação dos professores, que terá tido os mesmos números, mas cenários muito diferentes. 

Eu estive nesta manifestação e tenho de dizer que foi algo de espectacular! 

Vi pessoas de todas as idades, mas na sua maioria vi jovens, pessoas que provavelmente nunca tinham a experiência de dar o corpo ao manifesto e que finalmente tinham a sua primeira iniciativa política activa. Vi pessoas de todos os quadrantes políticos, tanto de esquerda como de direita, chegando mesmo aos extremos. Vi solteiros, casados, divorciados, juntos, separados e solitários. Acho que só não vi o cão, o gato, o canário e o periquito porque no meio de tanta gente junta não dava para os ver.

Foi um dia de festa e alegria (como diz a música a luta é alegria!) onde quem foi tomou o gosto por este tipo de intervenção política. 

E o que tirar de tudo isto?

Que existe um descontentamento geral sobre o estado a que as condições de vida chegaram não é propriamente novo, e de alguma forma este ponto explica o porquê de tanta gente aderir e participar neste evento. No fundo estamos sempre descontentes e queremos sempre que algo mude, isso já é um estado natural português tanto como o estado liquido da água, contudo foi a primeira vez que vi tanta gente a querer fazer parte da solução. 

Agora há um problema. 

Na democracia como é entendida em Portugal até hoje, a solução passa pela inscrição em partidos políticos. Mas como é que uma geração que não crê nas soluções apresentadas pelos partidos; que vê a classe política a falar muito e a fazer pouco, e que quando faz normalmente só consegue piorar as situações (veja-se as medidas para desencorajar o uso de recibos verdes que apenas penaliza a pessoa que é obrigada a passar os mesmos em vez de penalizar quem os exige); que assiste à completa destruição das ideologias políticas esbatendo-se todas as fronteiras entre os partidos de centro; vê as capas de jornais dia após dia a falar de escândalos de corrupção (quando não se sabe destas coisas por outras vias); repito, como é que uma geração que assiste a isto tudo vai meter-se pelas máquinas partidárias? Qual é o alento? Qual é a crença? 

Daí haver uma vontade de dar um murro na mesa e quebrar com todo o status quo que foi criado até hoje! No fundo foi isto que aconteceu nesta manifestação.

O problema é que depois da manifestação era necessário acontecer qualquer coisa. Até agora a única coisa que levamos de dia 12 foi uma tarde de recordações giras. Ainda me lembro do tempo em que uns quantos maduros a buzinar dentro de um carro fizeram a paralisação da ponte 25 de abril e levaram à queda do governo do actual presidente da república por um punhado de trocos. O único problema de uma intervenção destas é que a seguir temos eleições e põe-se a temível pergunta: "em quem é que votamos?" 

 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 16:07
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