Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Habemus Papam

Delicioso! 

A palavra que melhor descreve este filme é mesmo esta.

A primeira vez que vi o trailer pensei que poderia ser engraçado, tal como costumo achar todos os filmes do Nanni Moretti, mas graças à circunstância de ter visto o trailer de seguida umas 20 vezes (no mínimo) enquanto esperava para entrar na sala de cinema, às tantas já estava sem paciência e nenhuma vontade de ver o filme em si. Mas o passar do tempo tem destas coisas. E ontem graças a outra circunstância acabei mesmo na sala de cinema a ver o Habemus Papam.

Quando se vê o trailer e o poster do filme pensamos que é um filme sobre religião, e provavelmente há que o veja dessa forma, mas ver o filme nessa óptica acaba por ser um pouco redutor, há tanto desenvolvimento pessoal, tanta descoberta do eu, há o confrontar do quem nós somos, da satisfação ou não de chegar-mos a um marco no nosso percurso, há o lidar mal com isso, há apenas o lidar com isso... Enfim tantas questões com que nós somos confrontados na nossa vida "comum". Nanni Moretti mostra-nos o caso de um homem simples que chega a um marco extraordinário no seu percurso e ao chegar lá é confrontado com todas estas questões, de uma forma violentíssima, com uma pressão gigantesca. E o que é fascinante é que ele faz tudo isto enquanto estamos completamente ligados empaticamente a personagens cuja vida tem pouco ou nada a ver com a nossa, faz tudo isto enquanto nós ri-mos, sorrimos, desesperamos com um grupo de personagens eximiamente explorados. 

Tudo em Habemus Papam é ridiculamente simples, tal como é apanágio de Moretti, não há explosões, truques de câmara, efeitos especiais, nada... apenas uma excelente história, excelentes actores, aquela música que faz sentido naquela cena, naquele momento, aqueles pequenos pormenores e detalhes que fazem do filme aquilo que ele é... 

... Delicioso!

P.S.: Depois de ter partilhado a música não resisto a por aqui esta cena retirada directamente do filme. Cardeais a fazer biodanza! Indecentemente roubado a um golfinho fantasma!
publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 14:15
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Drive

Nas bilheteiras deu-se o filme do costume:

"o que é que vamos ver?"

"este parece bom, aquele também"

"ah este tem o Ryan Gosling"

E lá ficou resolvida a questão, a sério que não percebo a fixação por este actor. Parece-me que isto é por modas, ainda há bem pouco tempo não havia um filme que não tivesse o Christian Bale, agora é o Ryan Gosling. 

Um bocadinho a deixar-me ir na onda lá fui para a sala de cinema... 

O que eu não me lembrei na altura (só me lembrei depois de ver o filme) é que eu já tinha visto imagens do filme, e tinha achado que poderia ser interessante. O que não me lembrei na altura (só me lembrei depois de ver o filme) é que este foi o filme que encerrou o Lisboa & Estoril film festival! 

Os primeiros 20 minutos de filme (mais coisa menos coisa) estão lá para estabelecer o ambiente, mostrar os personagens, deixar que a sua história se misture, ou seja a parte em que os elementos masculinos do público quase que adormecem, até porque o personagem do Ryan Gosling não é assim tão interessante quanto isso, é apenas um tipo que sabe (e muito bem) conduzir carros e sendo ele a personagem central do filme... E as mulheres ficam todas satisfeitas a olhar para o écran enquanto ele é "querido" e "fofinho". 

De repente tudo muda! O ritmo do filme aumenta e tudo fica muito, mas mesmo muito mais interessante. Até conseguem aquele milagre da personagem do Gosling passar de "pseudo-cool" para "really cool"!

Por tradição deixo aqui o trailer, apesar de recomendar a sua não visualização, vale a pena ir para a sala sem muita informação sobre o que vai acontecer.

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 13:11
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Coisinhas que me deixam ansiosamente à espera do próximo ano (3)

Tendo em conta que só estreia em Dezembro só espero que o mundo não acabes antes!

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 11:12
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Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Coisinhas que me deixam ansiosamente à espera do próximo ano (2)

Pronto tá tudo lixado! Conseguiram juntar ao filme de gajo mais "badass" de sempre "O" elemento que faltava, ai está ele o grande Chuck Norris!

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 11:22
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Coisinhas que me deixam ansiosamente à espera do próximo ano

Ah pois é! Depois de Yamato cá está mais um filme baseado num manga/anime que parece valer a pena e mais uma vez um nível de exigência bastante alto tendo em conta a quantidade de fãs de Rurouni Kenshin (também conhecido como Samurai X cá no nosso canto).

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 11:17
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Cowboys & Aliens

Às vezes apenas apetece ver um filme estúpido. Era nessa disposição que eu estava ontem à noite e de repente dei por mim a ver o Cowboys & Aliens. Lembro-me que quando vi o trailer no cinema, achei os efeitos especiais bons, um argumento que... não deveria muito à inteligência tendo em conta o público-alvo, mas que ao mesmo tempo poderia entreter. Não me enganei muito. 

Os primeiros 15 minutos de filme são ligeiramente parados, mas servem para estabelecer as personagens, a partir dai o ritmo aumenta e há muitas mortes, explosões, extraterrestres, essas coisinhas todas que poderiam dar um filme bom, mas não pah!

A verdade é que isto é apenas o juntar de cliché em cima de cliché, com um bocadinho mais de cliché para aconchegar. É impressionante como conseguem pegar num conceito que até é inovador - ok pode ser parvo logo à partida, mas ainda assim inovador - e transformá-lo num filme que eu já devo ter visto para ai umas 20 vezes no último ano, ainda por cima completamente "politicamente correcto"!

O curioso é que apesar de tudo não posso dizer que detestei o filme, dentro das suas escolhas foram extremamente competentes, e conseguiram (money talks) ir buscar bons actores. Portanto posso dizer que estive entretido a ver o filme mas não sei se o recomendaria a alguém, a não ser que a ocasião peça um filme em que não há nada (mesmo rigorosamente nada) para pensar, e mesmo assim há outras opções...

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 10:58
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Reservoir Dogs - Cães Danados

No sábado à noite resolvi ver o Reservoir Dogs, coisa que eu já me tinha prometido a mim mesmo que iria fazer há uns bons aninhos. Sempre tive a sensação que era uma falha minha não ter visto uma dos mais aclamados filmes de Quentin Tarantino, cheguei a uma conclusão engraçada e paradoxal. Ao mesmo tempo que eu acho que este filme é absolutamente brilhante e fantástico, também me parece ser banal e nada de fabuloso. Confusos? Eu que estou a escrever, e a pensar nisto, estou um pouco, mas aqui vai o meu melhor para explicar. 

Para tudo há um contexto e uma época. De facto se eu tivesse visto este filme em 1992 (tinha eu 11 anos), quando saiu, ou algures durante os anos seguintes, seria um filme que, provavelmente, marcaria toda a minha visão do cinema. Mas não vi.

Segui o meu caminho enquanto espectador de cinema, houve outros filmes que me marcaram, alguns deles do Tarantino e tudo, e agora que, em pleno final de 2011, o vi sinto que nada nele é novo, que já o tinha visto noutras formas, algumas delas melhores, outras piores. 

Talvez esta sensação seja um atestado à qualidade do filme, porque se tive essa sensação significa que os outros foram buscar inspiração a este, pode também simplesmente significar que é um argumento previsível, e que rapidamente se juntam as peças todas. Apesar disso acabar por interessar pouco, é um filme que vive quase que exclusivamente das prestações dos seus actores (todos eles excelentes). 

Tem algumas cenas míticas, como eles a andarem na rua, ou a conversa no café, ou a discussão sobre os nomes deles, e interessa ver pelo menos uma vez na vida, tenha sido na altura em que saiu, ou seja no futuro, e só isso faz com seja um filme de referência. Contudo não consegui deixar de sentir aquela pontinha de desilusão.

Finalmente vi o Reservoir Dogs e não é tão fantástico e especial como eu esperava... Criar expectativas é lixado!

P.S.: Não consigo resistir a deixar esta música aqui, sempre gostei dela e tenho de admitir que fica bem, mas mesmo muito bem com este filme.

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 20:35
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The Ides of March

Na tarde deste Domingo o cenário numa das entradas do Corte Inglês onde estão afixados os cartazes dos filmes em exibição era (mais coisa menos coisa) este:

- Olha está cá os Idos de Março!

- Sim, mas já me disseram que era bom para ver na televisão.

- Mas preferes outro?

- Epa na minha lista tinha este, este e este. 

- Ah mas os Idos de Março também está na tua lista e tem o Ryan Gosling!

Escusado será dizer que lá fui eu ver os Idos de Março...

A minha falta de entusiasmo para ir ver este filme devia-se única e exclusivamente ao que disseram sobre o mesmo, especialmente tendo em conta que quem me disse adora (tal como eu) este tipo de enredos, porque de resto tudo aqui tinha os ingredientes certos para correr bem.

Filme realizado por George Clooney, que, sem deslumbrar, faz sempre filmes bons. Os actores são excelentes, começando no próprio George Clooney, passando por Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Ryan Gosling (sim, ele não é apenas eyecandy feminino, o homem até é bom actor), Evan Rachel Wood, etc... (apesar deste etc ter actores muito bons acabam por não ter um papel assim tão relevante no filme)

Portanto este filme dependia essencialmente do argumento. Ora o argumento não é mau contudo tem um problema gigantesco! E esse problema durou de 1999 até 2006 na forma de uma série de televisão chamada The West Wing (Homens do Presidente cá em Portugal).

Esta é apenas uma das series mais geniais alguma vez feita, especialmente para quem gosta de intriga política e perceber como funcionam os bastidores das campanhas políticas ou os bastidores da governação. Ou seja, esta série acabou por se tornar um problema para todo e qualquer filme de intriga política que dependa do enredo apenas porque impôs uma fasquia demasiado elevada.

Assim sendo, apesar do argumento não ser horrivelmente mau, e a intriga estar construída de uma forma sólida (o que também pode ser explicado no facto do argumento ser baseado numa peça de teatro), acaba por não ser assim nada de fantástico ou de memorável. Tem como ponto positivo, diria mesmo que extremamente positivo porque ele cumpre o papel na perfeição, a evolução da personagem de Ryan Gosling, mas ao contrário do que o público feminino possa pensar só isto não justifica o bilhete de cinema. 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 11:00
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Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Puss in Boots a.k.a. Gato das Botas

Ah pois é! Chega a época natalícia e começam a estrear filmes de animação a torto e a direito, este ano não é excepção. No meio desta fornada está o muito publicitado e ansiado Gatos das botas em toda a glória tridimensional agora na moda nos cinemas. Para que fique esclarecido eu não gosto desta moda! E bem que a podiam enfiar toda n... bom vou parar com as descrições por aqui que isto é blog para toda a família!

Concentrando-me no filme. 

Quando lançaram o Shrek 2 acho que ninguém tinha a noção do sucesso que o Gato das botas ia ser, mas honra lhes seja feita, cedo se aperceberam, e cedo começaram a surgir os rumores de um filme em torno deste personagem. E aqui começa o problema deste filme.

Shrek veio de alguma forma elevar a fasquia dos argumentos dos filmes de animação, já não são exclusivamente para miúdos, há lá coisas que só os pais (ou os avós e tios) é que vão apanhar, isso aliado a tanta ansiedade criada, tanta expectativa gerada, fizeram que este filme por muito bom que seja fique sempre um bocadinho aquém do esperado.

Atenção! Isto não significa que o filme seja mau, porque não é!

Tenho que dizer que é bem construído, com piadas muito bem conseguidas, onde utilizam o universo felino e toda a cena hispano-americana trazida por António Banderas ao Gato das botas e foram buscar a Salma Hayek que veio complementar isto ainda mais. Os desenhos são do estilo Shrek como era suposto e a utilização do 3d é bem feita e incorporada no filme. (o que quero dizer com isto é que eles não inventaram umas porcarias para andar ali a flutuar só porque sim) Contudo, não há ali nada de novo ou de uma qualidade de argumento que seja algo por demais, e é uma pena porque este personagem pedia um pouquinho mais. Em tempos não tão longíquos dizia-se que "lhe falta um bocadinho assim".

Forçando-me a enfrentar o momento da verdade, tenho de dizer que gostei bastante de ter visto o Gato das botas no cinema, e não me enjeito nada de o rever, mas não é um filme que me fique na memória como sendo algo de fenomenal. 

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 21:03
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Space Battleship Yamato, o filme!

Ontem vi algo que estou quase há um ano para ver, o filme de Space Battleship Yamato! E há que dizê-lo, o filme é muito bom! Claro que não ganha prémios, nem é pseudo-intelectual, mas é divertido e consegue encapsular o espírito de uma série de culto, com 26 episódios, em 131 minutos! Uma das únicas coisas que faltou foi mesmo esta música (sim, eu sei que não é a coisa mais actual do mundo mas ver Yamato sem ela não é a mesma coisa):

Ok! De regresso ao filme. Houve três coisas que me atraíram no trailer:

1) a história ser de um dos anime mais marcantes de sempre - tenho de admitir que não me recordava da história toda, ainda não me lembro de todos os pormenores, portanto não sou a pessoa indicada para dizer que falta lá o sucedido no episódio 16, minuto 10. Contudo lembro-me perfeitamente do espírito que emanava da série, todo ele demonstrativo de uma mentalidade muito japonesa (pelo menos em anime) em redor do sacrifício e camaradagem, e se há coisa que não se pode acusar este filme é de falhar nesse departamento. Todo o argumento é em redor de sacrifício e como lidar com ele. 

2) a caracterização das personagens - Só posso dizer que o estilo do anime dos anos 70 está todo lá, de uma forma bem cuidada. E não falo apenas nos fatos, mas também nos penteados e algumas cenas onde os cabelos andam por lá a esvoaçar. 

3) os efeitos especiais - Pois aqui é onde eu fico um pouco mais dividido com a coisa. No trailer vemos a parte das batalhas espaciais, e essas estão simplesmente fabulosas! Mesmo a parte passada na Terra, os efeitos estão bem feitos e enchem-me as medidas. Contudo há lá umas batalhas menos espaciais que chegam a roçar o limite do mauzinho. 

Em suma, não é um filme para tecer grandes questões filosófica, apesar de ser perfeitamente possível se uma pessoa quiser, mas diverte se (e só se) gostarmos da mentalidade japonesa, porque este é, na sua essência, um filme japonês feito para japoneses. Mal comparando é como se de repente alguém quisesse fazer um filme do Duarte e Companhia, o mais provável é que os portugueses nascidos em finais de 70/inicio dos anos 80 iriam compreender as referências e o modo de pensar que justificava aquele filme, mas o resto do mundo teria que querer compreender, e isso às vezes é o mais complicado.

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 12:29
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