Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Chuva

Cai naturalmente.

Abrigo-me e observo-a a apenas um passo de mim.

Os céus escurecem e anunciam-na, nunca na realidade a desejamos, porém eu lembro-me. 

Lembro-me de uma altura em que para mim significava algo, dos dias em que a ouvia a bater nas caixas dos estores, dos dias em que brincava nas poças, dos dias em que apenas caminhava por entre os pingos de chuva.

O que ela significava para mim? 

Roupas encharcadas, sapatos que chiavam enquanto andava, os cabelos demasiado grandes e claramente despenteados a escorrer água, a temperatura do corpo que disparava para combater o frio que se tentava instalar, a sensação de estar à procura de um rumo numa situação em que todos se escondiam, um sorriso. Mais concretamente aquele sorriso de quem estava a passar por um ritual incompreendido de purificação. 

Não passam de recordações, já longínquas, que dificilmente se entendem ou explicam, que só acontecem naquelas alturas em que há uma crença nos actos simbólicos - como por exemplo o acto da chuva levar todas as tristezas, preocupações e problemas.

Se apenas fosse assim tão simples.

A realidade é que nunca tive nenhum problema que fosse levado pela chuva - coisa que não surpreende os mais cépticos - mas posso dizer que de alguma forma todo aquele acto me fazia sentir bem momentaneamente, as tristezas deixavam de ter importância, as preocupações desapareciam, só por uns momentos. Nesses momentos era apenas eu, a chuva, e qualquer direcção que eu resolvesse tomar. Ninguém na altura me compreendia, achavam que eu era doido por fazer aquilo, mas a verdade... 

A verdade é que hoje em dia não me lembro das tristezas, não me lembro das preocupações, não me lembro dos problemas. O que ficou na minha memória foram aqueles momentos de pausa, de silêncio, de paz.

 

...

 

Chamem-me doido se quiserem.

 

...

 

Dou um passo em frente e sigo o meu caminho.

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 18:33
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Caixas e brinquedos

 

 

 

Irónico que numa era digital venha falar de algo que provavelmente muita gente não se lembra ou se lembra já não acha importância.

Em tempos pré-internet(à muito muito tempo...) vendiam-se videojogos. Já sei o que estão a pensar..coisas para crianças, meras invenções feitas para entreter os mais pequenos, sem adicionar algo substancial ou enriquecedor. Da mesma maneira que julgam outros media, como os desenhos animados, banda desenhada.

Mas confesso que estão enganados. Qualquer coisa que se torne num veículo para uma história, tem o potencial de ser Arte! Mas enfim..são os meus denaveios. Retomando o tópico do início, antigamente os videojogos vinham em caixas, eu sei hoje em dia também se vendem. O que diferia na altura era o facto de trazerem pequenos objectos que traziam uma outra dimensão. Fosse um mapa da história do jogo, um conjunto de cartas que complementava a acção do herói.

Dou-vos a minha experiência de um pequeno jogo chamado "Beneath a Steel Sky", um jogo "point and click", trazia uma banda desenhada cujo o papel era uma introdução à história do herói. E claro o jogo começava onde a banda desenhada tinha terminado.

Este texto serve como introdução a um artigo que quero vos apresentar e que reflecte essa arte esquecida, espero que não seja o único que sinta falta dela..

Artigo via Artfulgamer

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publicado por Luís Marques às 22:02

editado por Gonçalo Cardoso Dias em 27/10/2011 às 10:57
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Pensamentos soltos em Londres.

Verde. Muito verde. Animado pelos cães, esquilos, pássaros e pessoas nos seus rituais matinais de masoquismo em prol de uma data de desculpas, seja a sua saúde, seja a sua a atracção física. 

Os passos sucedem-se automaticamente apenas interrompidos pelo brilho do sol. 

Não é bem dormência ou apatia, é aquele estado zen de quem acabou de acordar e ainda não tem nada para dizer ao mundo, querendo apenas apreciar os pequenos prazeres, os pequenos nadas, como o chilrear dos pássaros, a brisa que passa, os curtos intervalos de silêncio desta cacofonia harmoniosa. 

A relva apresenta-se prazeirosa, preguiçosa, apetitosa, convidativa e começa a argumentar silenciosamente o ócio, aquele "dolce fare niente", que dificilmente é possível naquele dias. 

Ai se não tivesse um destino, uma hora, um compromisso, uma rotina. Este era o pensamento mais sentido que lhe interrompia o vazio da sua mente. 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 17:53
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Epa até que enfim alguém diz o que eu penso sobre a saga twilight

Cuidado que a linguagem utilizada não é propriamente segura para locais de trabalho e afins. 

 

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publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 10:26
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Até ao meu regresso!

 

 

 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 15:13
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

sometimes you just need to let go

 

 

 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 09:56
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Sobre o cinema português

 

 

publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 12:07
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Domingo, 3 de Abril de 2011

Os mercados, o FMI e os PEC's

Today's Non Sequitur Comic Strip - ArcaMax Publishing

publicado por Nuno Cardoso Dias às 22:09

editado por Gonçalo Cardoso Dias em 27/10/2011 às 10:56
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Qual é a forma daTerra?

- Como é que tu achas que eles descobriram que a terra é redonda?  - pergunto.

Bom, pensando bem, os meus advogados aconselham-me a começar por dizer que as perguntas mais curiosas saem daquela boca – e curiosas é o melhor adjectivo mesmo. Exemplos: porque é que há objectos leves que se afundam e objectos pesados que flutuam? Já sei que a terra roda sobre si própria, mas o que é que a faz rodar? Na sequência desta – e de outras idênticas – o tio Gonçalo aconselhou um livro do Isaac Asimov, Guia da Terra e do Espaço, que se desenvolve em ritmo de pergunta/resposta, começando por “Qual é a forma da Terra?” Ao que ele respondeu:”Isso é fácil: a Terra é redonda.”

- E como é que sabes isso?

- Porque vi nos livros.

E foi assim que chegámos àquela pergunta.

- Porque os astronautas viram. Só que primeiro tiveram de inventar o foguetão…

- E se eu te disser que descobriram isso antes de inventar o foguetão, antes até de se inventar o avião? Para falar a verdade só precisaram da matemática...

- Mas a matemática é só números e formas… Oh, pois as formas, já percebi…

Tive toda a sua atenção. E fui traduzindo o livro para palavras mais simples: que a superfície da Terra é irregular mas que não há sítio nenhum onde se suba sem voltar a descer ou vice-versa, por isso podemos imaginar um valor plano, na média. Que quando olhamos, abstraindo-nos dessas irregularidades vemos a terra como plana e que foi isso que os homens fizeram durante muito tempo. Mas que se formos para o mar e perdermos o horizonte, começamos a ver terra pelo ponto mais alto, mesmo que esteja um pouco mais longe, e não pelo ponto mais próximo. Que isso é assim porque essa terra que vemos está mais baixa do que nós por causa da curvatura da terra, em todas as direcções e que quando nos vamos chegando mais perto é como se descêssemos pela curvatura e a terra subisse das águas. Expliquei que o primeiro a sugerir que a Terra era redonda tinha sido Pitágoras, cerca de 500 anos antes de Cristo…

- Então ele aparece na Bíblia? No Antigo Testamento?

- Não querido, não aparece.

- Então porquê?

- Porque a Bíblia é mais sobre Deus e Pitágoras pensava sobretudo na matemática.

- Isso não é assim, porque olha que Deus tem muita matemática escondida…

- Pois, filho, para falar a verdade também era isso que o Pitágoras dizia.

Fechei o livro e vim-me deitar.

publicado por Nuno Cardoso Dias às 10:46

editado por Gonçalo Cardoso Dias em 27/10/2011 às 10:56
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Sábado, 2 de Abril de 2011

8 ou 80

"Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!"
 
Eu nem preciso de dizer quem disse a frase, ou quando foi dita, porque de facto sempre foi uma descrição aceite cá no nosso cantinho. A verdade é que pretendentes para nos governar nunca faltaram, desde os espanhóis aos ingleses em tempos mais idos, e agora mais recentemente a Alemanha e o FMI. Aparentemente a chanceler Alemã começa a ter coisas com que se preocupar sem ser a economia portuguesa e o que temos que fazer, se não se começar a preocupar mais com o país dela é capaz de perder o lugar, mas isso sou eu que digo, e convenhamos o que percebo eu de política alemã? Pouco ou nada, mas aparentemente o senhor do partido dos verdes segundo os resultados eleitorais percebe um bocadinho. 
Portanto enquanto a Alemanha está entretida com disputas internas vamos ter ai o FMI à perna. E é ao ver o noticiário que podemos perceber o poder do FMI ao causar histeria colectiva através das empresas de rating - completamente independentes e q não tem nada a ver com o FMI, mas que sempre vão avisando que se Portugal não pedir ajuda internacional (apontando o FMI como única hipótese) ainda cortam mais o rating. 
E claro que gente que já de si anda assustada e revoltada com a crise, vai ficar ainda mais assustada e revoltada, o q é um tiro que poderá sair pela culatra a quem quer pedir "ajuda" ao FMI. É que, caso não tenham reparado, aqui a malta nunca reage exactamente como se estava à espera a este tipo de pressões, ainda por cima num ano em quem nem o Benfica os salva. 
publicado por Gonçalo Cardoso Dias às 14:27
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